Toda minha vida procuro pequenos ou grandes momentos de alumbramento. Como se quando os encontro soubesse algo de verdade, ou da verdade. O olhar fixo de duas pessoas no momento em que percebem que se amam, seja qual for o tipo de amor, o rosto da minha vó quando lhe dei um álbum de fotografias com artistas clássicos de Hollywood (meu vô havia rasgado e queimado um álbum que ela tinha há muito tempo atrás), meu cachorro virando a barriga pra cima, o deserto da Patagônia visto da janela do ônibus, pessoas dançando com lenços em Buenos Aires, o pôr-do-sol na praia de Santos, a penumbra do crepúsculo, a cama na neve em Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, a Dolores O’Riordan quando chega no refrão de Ecstasy (“Ecstasy misunderstood, will you dance with me, as if I should...), todo o filme Apenas Uma Vez (Once). Alegria e tristeza e estranhamento e conforto...
Em 2010, e por toda a vida, alumbre-se!
Feliz Ano Novo!

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